Olá, amigos!
Aqui vai mais uma Poesia minha! Dessa vez, é sob uma ótica feminina... Pois é, andei tentando entender as mulheres... É óbvio que falhei!
Abraços a todos!
AMSTERDÃ
Sinuoso, canalítico, libertariamente aprisionante,
Meu coração segue impressionista,
Pré-vanguardista, Vangoghiano,
Um girassol entorpecido de razões
Convencido a enlouquecer-se de realidade.
Meus sentimentos, prostituidos,
Vendem-se em vitrines a qualquer sensação que pague
O suficiente (e pouco) para pervertê-los,
Sacudi-los, deflora-los de uma virgindade hipócrita,
Abrindo ao mundo o hímen da minha alma complacente,
De mentiras priápicas e verdades impotentes.
Dispo-me, entrego-me ao que não sou
Sem, ao menos, saber o que eu era.
Descortinada, danço numa vitrine
Esperando algum desejo que me queira
E me feche as cortinas da cabine
Para abrir-me um horizonte que me caiba,
Pois a vida que me coube veio inteira.
Provocante, seduzo o destino que me beija...
Mas depois ele me paga com aquilo que eu não quero.
Mas será esse o aquilo que mereço?
Ou será esse o aquilo que eu espero?
O destino me paga comigo.
E eu recebo sempre o que eu sou.
Por isto que sou triste,
Pois quando me recebo
Recebo-me somente,
Sem qualquer “ti” que me ame,
Ou qualquer “nós” que nos faça...
Volto sempre ao “eu”...
Esta primeira pessoa que me irrita,
Que me enche a cabeça de traumas
Me forçando a esvaziar-me na luxúria,
No bacanal de minhas emoções profanas!
Hoje, o batom vermelho secou meus lábios.
Minhas unhas postiças caíram
Desnudando a realidade roída dos meus dedos
E a ansiedade do meu semblante esbugalhado...
Mas não sei se é esta minha verdade.
Não sei se esta tristeza é o meu triste.
Maquiei-me tanto que perdi minha face,
E minhas alegrias são tão minhas
Quanto o “blush” que me enfeitava durante a noite,
Mas que agora está endurecendo aquele pedaço de algodão
Que joga-se na pia do banheiro, assim como jogo-me na cama,
Neste leito frio, que não me faz chorar mas me angustia,
Que me faz dormir, mas não me acolhe,
Como se fossem os abraços de todos os homens que me amaram,
Mas que eu deixei de amar por ser amável somente ao que não me ama.
Quero sentir saudade!
Quero rasgar meu peito antes de rasgar minha roupa!
Construí um muro enorme para proteger-me,
Mas esqueci-me que estava sozinha aqui dentro!
Preciso de algo que me exploda! Algo mais forte do que eu!
Eu quero guerra, sim! Eu quero guerra!
Quero sentir-me amedrontada!
Quero que me violentem!
Quero que me derrotem, que me humilhem!
Mas quero que me libertem...
Quero ser livre deste “eu” que me aprisiona...
José Nantala Bádue Freire
Haia. Holanda.
23.07.2006.
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1 comentários:
Zeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!
Que é isso amigo? Que poesia fantástica é essa? Eu sabia q tu era inteligente, mas não sabia q tu andava tão inspirado pelos tempos europeus... ah, q saudade daquilo né? Te amo, meu irmão! Continua maravilhoso! Beijocas da amiga de sempre, Morgs
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