quinta-feira, 3 de maio de 2012

Poesia escrita em homenagem às mulheres, declamada no evento do Dia da Mulher, realizado no Instituto dos Advogados de São Paulo, aos 08 de março de 2012.


Frágil?


De onde vem essa fragilidade que conquista?
De onde vem essa condição frágil,
que domina desejos,
subjuga egos,
emancipa verdades?

De onde vem essa costela antiga
que nos é ventre sempre novo?

De onde vem?

Ao mesmo tempo,
Vocês, amores,
Nos são origem e destino,
Sanidade e desatino,
encorajador tormento,
aterrorizantes destemores.

Contraditórias,
Peremptórias,
Incompreensíveis?
Talvez, como tudo o que é humano...
Mas com o charme de Grand Finale
De tudo o que é divino!


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Mãejedoura

Muda.
A vida é muda.
Muda que diz.
Que avisa
E Arde!

Sarça?

Moita?

Galhos...

Galhos retorcidos,
Entrelaçados...

Mortos?

VIVOS!

Vida é Mãe.
Que une restos
Mortos
De mudas, galhos, sarças, moitas
E os entrelaça
Para, juntos,
Reviverem.

Ressucitarem.

Como cama.
Como Berço.

Mãejedoura!



Feliz Natal a todos!

José Nantala Bádue Freire.
Dez. 2011.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

PONTOAÇÃO

Vida grande
videira
inteira

, vinde

.

Semeia grande
, Sê meia
, videira
, sê virgula

se vir gula
, que venha
, tenha
; engula e
retenha

.

Divide
e dê
, vide
, vida

! Advi
. Há
de
vir

? Virá
. Ponto
. Ponto fi
. Ponto Nau




José Nantala Badue Freire
12.07.2011 – Bragança Paulista

terça-feira, 17 de maio de 2011

Bossa´n Roll & Bluessamba!

Escolhi, como primeiro texto da minha coluna nesta nova e bem-vinda revista Perfil & Fama, traçar um paralelo entre dois ritmos que tiveram, surpreendentemente, origens e desenvolvimentos mais ou menos semelhantes, embora não sejam partes da “mesma cultura”, posto que emergiram em países diferentes e foram separados por uma considerável distância geográfica: o Blues e o Samba.

O Samba é um ritmo que tem suas raízes fincadas na cultura africana, assim como o Blues. Estes dois ritmos, em seus primórdios, eram praticamente ignorados pelas “elites brancas” do Brasil e dos Estados Unidos, respectivamente, que preferiam música mais “sofisticada” a ouvir os apelos dos “Bluesmen” e a malemolência, mais romântica do que sensual (naquela época!), dos Sambistas.

Entre o fim da década de 20 e o começo da de 30, grandes expoentes destes dois movimentos, que vieram a ser considerados como verdadeiras pedras angulares das culturas musicais americana e brasileira, começaram a emergir, embora o talento deles não fosse reconhecido, à época, da forma que são nos dias atuais.

No Brasil, surgiam Noel Rosa (um dos poucos brancos deste movimento), Heitor dos Prazeres, Pixinguinha, Sinhô... Nos EUA, surgiam Bo Carter, Son House, Willie Brown e o maior deles (talvez o maior de todos os tempos!), Robert Johnson.

Algumas das composições destes gênios conseguiram extrapolar as barreiras raciais e econômicas e, mesmo àquela época, chegaram a fazer relativo sucesso, embora ainda fossem alvo de grande preconceito e estigmatização.

A pequena difusão destas verdadeiras obras-primas já foi suficiente para que começassem a exercer seu poder de transformação cultural, capaz de mitigar preconceitos e promover integrações emocionantes, como só a arte é capaz de fazer.

Com o seu poder, o Samba dos negros do morro, o Samba nascido no Recôncavo Bahiano, o Samba do Mestre Donga, gerou verdadeiras epifanias musicais em muita gente. Mesmo assim, pode-se dizer que uma parte de sua massificação se deu por conta de alguns “ jovens brancos” que, ao experimentarem de toda a riqueza do Samba, inebriaram-se nele e o reinventaram, através da incorporação de uma batida originária de um outro ritmo de raízes negras; o Jazz.

Estou falando da Bossa Nova que, apesar de ter sido encarada, no começo, como algo que “traía” o samba brasileiro, acabou se demonstrando como sua grande embaixadora, conseguindo estreitar importantes “laços diplomáticos” entre este e outras culturas, no Brasil e no exterior. Não são poucas as louvações feitas por compositores como Tom Jobim, João Gilberto e Vinícius de Moraes a grandes Sambistas como Cartola, Pixinguinha e tantos outros. Tá aí o Samba da Benção, que não me deixa mentir!

No tocante ao Blues, pode-se dizer que ele sofreu este mesmo fenômeno de “massificação branca”, embora de forma ainda mais inusitada. Antes de cativar a juventude americana, o Blues de Muddy Waters e Robert Johnson (que morreu aos 27 anos e não usufruiu, em terra, de suas conquistas!) atravessou o atlântico e fez estrago em alguns dos jovens ingleses.

Na década de 60, os já reverenciados Rolling Stones, Beatles e Cream (do guitarrista Eric Clapton) foram até os EUA para conhecer seu maior ídolo: Muddy Waters! Os próprios músicos americanos achavam muito estranho aqueles jovens brancos de sotaque esquisito (inglês britânico) que tocavam com eles numa alegria e numa satisfação tremendas!

Esta integração dos idolos da geração jovem da época com os mestres do Blues, com toda a certeza, fez com que mais garotos e garotas procurassem se inteirar mais sobre este ritmo, que antes era algo obscuro e tido como “inferior”. Veja só: garotos brancos ingleses tiveram participação decisiva na massificação do blues dentro dos Estados Unidos da América!

O que torna tudo isso ainda mais interessante é que esses dois processos caminharam, mais ou menos, numa cronologia paralela! A Bossa Nova abria os horizontes do Samba, ao mesmo tempo em que o Rock´n Roll britânico chutava as portas do “mundo branco” ao Blues!

Existem muitos paralelismos como esse em nossa história. Coisas que não têm, necessariamente, relações umas com as outras, mas que se desenvolvem da mesma maneira, ao mesmo tempo, como se governadas por uma força comum. Não cabe a mim dizer o que é tal força. Prefiro, sinceramente, aproveitar tudo isto que ela gera!

terça-feira, 29 de julho de 2008

JESUS CRISTO, UM BANQUINHO E UM VIOLÃO

Jesus tocava violão. Não, eu não li isso em nenhum dos livros bíblicos, muito menos nos que não foram incorporados, como é o caso dos manuscritos do Mar Morto ou coisa do gênero...

Isso é um devaneio meu, mas que eu acho ser totalmente plausível, pelo caráter messiânico do violão, na história da música.

O violão sempre foi considerado um instrumento simplório, popular e até “indigno”, por transformar em música alguns “pecados melódicos”...

O violão sempre esteve próximo aos pobres, pronto para ouvir os lamentos dos sofridos e, miraculosamente, fazer destes o alento de muitos outros.

De berço pobre, o violão sempre teve dificuldade de entrar nas elites sinfônicas e filarmônicas, sem que fosse alvo dos preconceitos pianísticos, ou dos comentários agudos, graves e ácidos de seus primos ricos: Violinos, Cellos, Contra-baixos...

Contudo, todo este desprezo da elite musical deu ao violão as armas para a sua própria revolução... Ao violão, foi dado o povo.

Mas o violão não é um revolucionário belicoso, como um Guevara ou um Garibaldi... O violão sempre foi humilde e pacifista, como Jesus Cristo e Ghandi.

Mesmo quando experimentou seus dias de glória, o violão jamais tripudiou sobre os seus irmãos ingratos... Desde toda a sua grandeza espiritual, o violão os perdoou, e por muitas vezes convidou-os a partilhar do Paraíso que conquistou... Mas o orgulho de muitos acabou por afastá-los dos braços abertos e da melodia suave do Violão.

Na história da música Brasileira, o violão exerce esse mesmo papel. Nos anos 40 e 50, com todo o reconhecimento de Villa-Lobos e suas magníficas composições, o instrumento mais utilizado e admirado pelos “bons” era o sempre casto Piano... O violão era tido como um instrumento da “plebe”, dos “Nêguinhos do Botequim”, dos “Ignorantes”... O que não era nenhuma novidade para ele.

Contudo, um dos maiores “pecadores” da nossa música, ao descer da Bahia para o Rio de Janeiro, acabou sendo alvo de uma “epifania violonística”, e começou a apalpar suas cordas com um balanço diferente e revolucionário... Foi então que se criou a Bossa Nova, que se tornou o maior movimento musical da nossa história.

Para a “evangilização” do público e dos críticos, o Violão contou com apóstolos perseverantes e que largaram tudo o que tinham para seguí-lo, como também aconteceu com Cristo e com os seus...

Paralelamente, decidi comparar alguns dos apóstolos de cristo com alguns dos apóstolos do violão. Pedro, seria João Gilberto: a Pedra Fundamental da Bossa Nova. Thiago, seria Vinícius de Moraes, uma liderança inspiradora e que espalhou a Boa (e a Bossa) Nova por todo o mundo. Paulo seria Tom Jobim, por ter uma relação estreita com os “Romanos da Música” e se converter ao apostolado do violão, disseminando seu “evangelho” a todos os outros instrumentos e ouvidos, o que arrebanhou muitos fiéis e formou diversos sacerdotes da “fé violonística” por toda parte.

Não podemos nos esquecer também dos Profetas do Violão, que antecederam esse Novo Testamento, iniciado com a criação da Bossa Nova.

Podemos dizer que o antigo testamento da Bíblia do Violão seria o Samba. E, dentro deste, encontraríamos as grandes raízes da Bossa Nova, como Pixinguinha (João Batista) e Cartola (Isaías). Sem as profecias musicais destes inspirados mestres, tudo o que ocorreu depois poderia, simplesmente, deixar de existir.

Nos dias de hoje, com o sucesso de um de seus filhos mais queridos, a Guitarra Elétrica, o Violão pode descansar um pouco de vez em quando... Mas quando chega aos palcos, ele continua arrancando suspiros de todos...




José Nantala Bádue Freire
29 de Julho de 2008

terça-feira, 22 de julho de 2008

BRASIL, CAMISA 10!

Não é a toa que o Brasil é o país do Futebol... Se o nosso país pudesse ter uma profissão, por sua personalidade e sua geografia, ele seria um jogador de futebol... E daqueles bem folclóricos, como um Garrincha, por exemplo! Apoiado nas pernas tortas e rápidas das regiões Sul e Sudeste! Dotado de um frondoso e imponente tórax, representado no nosso Nordeste! Com um pulmão de dar inveja, na nossa região Norte! E alimentado por um belo estômago, como é o nosso Centro-Oeste! Mas a nossa alma... Estaria sofrida e vazia, como é o interior do nosso país faminto... A cabeça? Bom, ela deveria ser Brasília mas, assim como acontece com muitos dos nossos boleiros, ela está bem perto das regiões pubianas e não funciona muito bem, por ser facilmente envolvida por emoções não muito castas...

Nos vestiários, o Brasil oraria para todos os credos e calçaria suas ostensivas chuteiras de ouro, que comprou junto com o carro importado, assumindo, assim, uma dívida pesada e desnecessária, mas que era fruto de seu hedonismo descontrolado e que lhe fazia, durante algumas noites de consciência, repetir a si mesmo: “Por que ostento minhas riquezas para esconder minhas pobrezas, ao invés de usar uma para resolver a outra?!” Mas sempre que fazia estes questionamentos, puxava um “baseado” ou tomava um gole de whisky para relaxar e, finalmente, esquecer...

Logo que estivesse pronto para entrar em campo, lembraria de sua infância miserável, sentiria um friozinho na barriga e uma dorzinha na consciência por não conseguir evoluir nas quatro linhas da lousa o mesmo que evoluiu nas quatro linhas do gramado... Mas entraria em campo de cabeça erguida, embora esta ainda estivesse muito ligada às regiões púberes...

Durante a partida, daria dribles desconcertantes, completaria lances de efeito inimagináveis, correria feito um louco, mas, quando precisasse levantar a cabeça, armar uma tabela ou fazer um lançamento, titubearia... E perderia a bola.

O jogador Brasil só marcaria seus gols, quando fosse deixado cara a cara com o goleiro, pois nesta situação só há duas coisas a se fazer: driblar ou chutar. Marcaria muitos e perderia outros tantos... Com certeza, o treinador não poderia contar com este tipo de jogador em todas as partidas, preferindo escalar Brasil somente em jogos onde a habilidade individual poderia fazer alguma diferença.

Ganharia muitos torneios, mas nunca seria a principal arma do seu time. Seria o jogador do espetáculo, que joga para a torcida, pouco se importando para o resultado de suas jogadas. Contudo, viveria envolvido em escândalos ligados às noitadas, às mulheres e a todo o tipo de vício bohêmio... Todos o adorariam... Mas ninguém apostaria muitas fichas nele.

O jogador Brasil morreria pobre. Quando atingisse, mais ou menos, os seus 50 anos, seria um alcóolatra desesperado, buscando uma saída para a sua situação e percebendo que tudo aquilo que foi gasto no passado seria justamente o que lhe faltaria no futuro... E depois de mendigar aos seus amigos, aqui e ali, conseguiria somente o suficiente para viver até morrer... Sem nada para deixar aos seus filhos além de memórias...



José Nantala Bádue Freire.
22 de julho de 2008.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Eu "steve" com o Steve!


Mortais!
Vejam só o que o bondoso destino me rendeu! Tive a oportunidade de ir a um churrasco que contou com a presença de, nada mais nada menos que, ele, o grandioso: STEVE HARRIS!
Momento único que só poderia ser completo com o devido traje, ou seja, o manto sagrado Tricolor!
Antes do churrasco, foi realizado uma oportuna "Pelada", da qual o time da Donzela de Ferro saiu vitorioso pelo placar de 8 X 0!!! Isso mesmo! Os "brasileiros" levaram um passeio dos nobres súditos da rainha! Foi vexatório!
Contudo, há que se levar em conta que os brazucas contavam com "pernas de pau" da ordem de: Ronaldo (Ex-goleiro do Corinthians!); Bejamin Bach (jornalista); Roger (Vocalista do Ultraje); Victor Birnner (jornalista); Andreas Kisser (Guitarrista do Sepultura). Assim, ficou fácil para a equipe Inglesa, que mostrou entrosamento e, inclusive, se mostrou perita na execução da famosa "linha burra"!
Dos 8 gols do jogo, 2 foram de Steve Harris, que não decepcionou! Mostrou até alguma habilidade como armador de jogadas e cobrador de escanteios!
Depois do Jogo, tivemos um belíssimo churrasco regado a Cerveja! Lá, tive a oportunidade de trocar umas palavras com esta lenda viva do Rock, alma de uma das maiores bandas da história.
Um dia inesquecível, com toda certeza!
Um grande abraço a todos!