quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Poesia!

Caros visitantes,

Para "inaugurar" as postagens do meu blog, nada melhor do que uma poesia. Esta é de minha autoria e espero, de coração, que todos vocês gostem! Lá vai.

REVOLUTO.

Tinha no bolso um pedaço de pão
Amassado por muitos diabos,
Com farelos dourados e fugitivos
Como o ouro de todos os tolos...

Trajava um fardo de chumbo,
Que lhe pesava mais no fim da tarde,
Quando arqueava as costas e sentia
A liberdade agonizando... Sem alarde.

Dirigiu-se à máquina de café,
Para implodir-se de novo em cafeína
E queimar sua língua travada
Que foi, pelo gato, cuspida.

Ofegante, foi ao banheiro
E desatou o nó da gravata,
Para apertar o nó da garganta...

Relutante, saiu num desespero
Que era calmo por covardia
E lento por faltar-lhe impulso.

Estampou um sorriso no rosto,
Mas ainda franzia a testa.

Ereto, dominava o corredor,
Tentando disfarçar-se na “pressa”...

Cumprimentava a todos,
Fazia até alguma festa...

Depois bufava e saía

Voltou à sua sala... Sentou-se
E resolveu escrever poesia.
Pegou um lapis que trouxe
E empunhou-lhe com agonia.

Viu o papel e tremeu.
E ao fim de tremer três vezes
Atou-se ao lapis como se fosse um leme
E gritou de um poço sem fundo:
“Fuja, Monstrengo que nada teme,
Pois sou eu Dom João Segundo!”

Abriu os olhos e viu-se
Rodeado de olhos e de sustos.
Envergonhou-se, prostrou-se, riu-se
E depois de livrar-se dos arbustos,
Mostrou-se nu àquela selva peçonhenta
Que, todos os dias, a razão lhe inventa,
Argumentando preços, mercados, custos.

Foi então que decidiu-se louco
E saiu profetizando versos de alegria,
Para um mundo tão surdo quanto rouco
Que não gosta mais de poesia.

Correu dali para encontrar-se
Em qualquer esquina desvairada,
Como se mais nada lhe restasse,
Ou como se lhe bastasse só o nada...

Mas ainda tinha uma memória
Naquele pedaço de pão mordido,
Que guardava em seu bolso como a história
De um ser imortal por não ter vivido,
E o jogou fora, por querer jogar-se ao mundo
E livrar-se deste coma-racional profundo,
Que agrava-se em planos e em metas...

Pelo menos uma vez, todos têm de ser poetas.

4 comentários:

Unknown disse...

Demais a poesia.

Te amo

Ni

Unknown disse...

Demais a poesia.

Te amo

Ni

Anônimo disse...

Demais a poesia.

Te amo

Ni

Marcela Barbosa disse...

viva o zé.

beijos