segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Renan, Calhou!

VEIO A "CALHAR" ESTA ODE.

Veio a calhar, Calheiros,
tanta bolsa a embolsar
para tão nobres cavalheiros,
que te fazem engordar
os bois, a filha e os empreiteiros,
frutos duma alcova lupanar...


Calhou, e como calhou, Calheiros!
A frieza de tuas notas, do teu semblante,
transfomando gabinetes (picadeiros?),
de pícaros homens de instante,
em arlequins infiéis e escudeiros
teus, enquanto o cargo lhe garante.


Calharam todos aqueles segredos, Calheiros...
Todos aqueles segredos calados,
Horripilantes, periclitantes, verdadeiros,
silenciosos despudores mascarados,
sob a névoa democrática do dinheiro.


Calhou! Mas este calhar não basta...
Sobram amores por aí, Calheiros.
Há outras alcovas menos castas
do que esta que fez-te prisioneiro,
E que deitaste como deitam as nefastas
pobres putas de amor estrangeiro,
que se entregam a quem lhes dá as costas
mas, porém, às paga por inteiro...

2 comentários:

Renato Jannuzzi Cecchettini disse...

Parabéns, Nantala.
Teus versos traduzem de maneira muito clara o nosso sentimento de indignação, revolta e inconformismo. Eu diria que estou convencido que nunca antes na história deste país se viu tamanha bandalheira!

Nome Completo: Luciana Di Marzo Trezza disse...

Nantala,

quero parabenizá-lo pelo dom da poesia e pela precisão com que tratou o tema e concordar com as palavras do Renato.

Simplesmente, maravilhoso!!!