terça-feira, 22 de julho de 2008

BRASIL, CAMISA 10!

Não é a toa que o Brasil é o país do Futebol... Se o nosso país pudesse ter uma profissão, por sua personalidade e sua geografia, ele seria um jogador de futebol... E daqueles bem folclóricos, como um Garrincha, por exemplo! Apoiado nas pernas tortas e rápidas das regiões Sul e Sudeste! Dotado de um frondoso e imponente tórax, representado no nosso Nordeste! Com um pulmão de dar inveja, na nossa região Norte! E alimentado por um belo estômago, como é o nosso Centro-Oeste! Mas a nossa alma... Estaria sofrida e vazia, como é o interior do nosso país faminto... A cabeça? Bom, ela deveria ser Brasília mas, assim como acontece com muitos dos nossos boleiros, ela está bem perto das regiões pubianas e não funciona muito bem, por ser facilmente envolvida por emoções não muito castas...

Nos vestiários, o Brasil oraria para todos os credos e calçaria suas ostensivas chuteiras de ouro, que comprou junto com o carro importado, assumindo, assim, uma dívida pesada e desnecessária, mas que era fruto de seu hedonismo descontrolado e que lhe fazia, durante algumas noites de consciência, repetir a si mesmo: “Por que ostento minhas riquezas para esconder minhas pobrezas, ao invés de usar uma para resolver a outra?!” Mas sempre que fazia estes questionamentos, puxava um “baseado” ou tomava um gole de whisky para relaxar e, finalmente, esquecer...

Logo que estivesse pronto para entrar em campo, lembraria de sua infância miserável, sentiria um friozinho na barriga e uma dorzinha na consciência por não conseguir evoluir nas quatro linhas da lousa o mesmo que evoluiu nas quatro linhas do gramado... Mas entraria em campo de cabeça erguida, embora esta ainda estivesse muito ligada às regiões púberes...

Durante a partida, daria dribles desconcertantes, completaria lances de efeito inimagináveis, correria feito um louco, mas, quando precisasse levantar a cabeça, armar uma tabela ou fazer um lançamento, titubearia... E perderia a bola.

O jogador Brasil só marcaria seus gols, quando fosse deixado cara a cara com o goleiro, pois nesta situação só há duas coisas a se fazer: driblar ou chutar. Marcaria muitos e perderia outros tantos... Com certeza, o treinador não poderia contar com este tipo de jogador em todas as partidas, preferindo escalar Brasil somente em jogos onde a habilidade individual poderia fazer alguma diferença.

Ganharia muitos torneios, mas nunca seria a principal arma do seu time. Seria o jogador do espetáculo, que joga para a torcida, pouco se importando para o resultado de suas jogadas. Contudo, viveria envolvido em escândalos ligados às noitadas, às mulheres e a todo o tipo de vício bohêmio... Todos o adorariam... Mas ninguém apostaria muitas fichas nele.

O jogador Brasil morreria pobre. Quando atingisse, mais ou menos, os seus 50 anos, seria um alcóolatra desesperado, buscando uma saída para a sua situação e percebendo que tudo aquilo que foi gasto no passado seria justamente o que lhe faltaria no futuro... E depois de mendigar aos seus amigos, aqui e ali, conseguiria somente o suficiente para viver até morrer... Sem nada para deixar aos seus filhos além de memórias...



José Nantala Bádue Freire.
22 de julho de 2008.

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