Jesus tocava violão. Não, eu não li isso em nenhum dos livros bíblicos, muito menos nos que não foram incorporados, como é o caso dos manuscritos do Mar Morto ou coisa do gênero...
Isso é um devaneio meu, mas que eu acho ser totalmente plausível, pelo caráter messiânico do violão, na história da música.
O violão sempre foi considerado um instrumento simplório, popular e até “indigno”, por transformar em música alguns “pecados melódicos”...
O violão sempre esteve próximo aos pobres, pronto para ouvir os lamentos dos sofridos e, miraculosamente, fazer destes o alento de muitos outros.
De berço pobre, o violão sempre teve dificuldade de entrar nas elites sinfônicas e filarmônicas, sem que fosse alvo dos preconceitos pianísticos, ou dos comentários agudos, graves e ácidos de seus primos ricos: Violinos, Cellos, Contra-baixos...
Contudo, todo este desprezo da elite musical deu ao violão as armas para a sua própria revolução... Ao violão, foi dado o povo.
Mas o violão não é um revolucionário belicoso, como um Guevara ou um Garibaldi... O violão sempre foi humilde e pacifista, como Jesus Cristo e Ghandi.
Mesmo quando experimentou seus dias de glória, o violão jamais tripudiou sobre os seus irmãos ingratos... Desde toda a sua grandeza espiritual, o violão os perdoou, e por muitas vezes convidou-os a partilhar do Paraíso que conquistou... Mas o orgulho de muitos acabou por afastá-los dos braços abertos e da melodia suave do Violão.
Na história da música Brasileira, o violão exerce esse mesmo papel. Nos anos 40 e 50, com todo o reconhecimento de Villa-Lobos e suas magníficas composições, o instrumento mais utilizado e admirado pelos “bons” era o sempre casto Piano... O violão era tido como um instrumento da “plebe”, dos “Nêguinhos do Botequim”, dos “Ignorantes”... O que não era nenhuma novidade para ele.
Contudo, um dos maiores “pecadores” da nossa música, ao descer da Bahia para o Rio de Janeiro, acabou sendo alvo de uma “epifania violonística”, e começou a apalpar suas cordas com um balanço diferente e revolucionário... Foi então que se criou a Bossa Nova, que se tornou o maior movimento musical da nossa história.
Para a “evangilização” do público e dos críticos, o Violão contou com apóstolos perseverantes e que largaram tudo o que tinham para seguí-lo, como também aconteceu com Cristo e com os seus...
Paralelamente, decidi comparar alguns dos apóstolos de cristo com alguns dos apóstolos do violão. Pedro, seria João Gilberto: a Pedra Fundamental da Bossa Nova. Thiago, seria Vinícius de Moraes, uma liderança inspiradora e que espalhou a Boa (e a Bossa) Nova por todo o mundo. Paulo seria Tom Jobim, por ter uma relação estreita com os “Romanos da Música” e se converter ao apostolado do violão, disseminando seu “evangelho” a todos os outros instrumentos e ouvidos, o que arrebanhou muitos fiéis e formou diversos sacerdotes da “fé violonística” por toda parte.
Não podemos nos esquecer também dos Profetas do Violão, que antecederam esse Novo Testamento, iniciado com a criação da Bossa Nova.
Podemos dizer que o antigo testamento da Bíblia do Violão seria o Samba. E, dentro deste, encontraríamos as grandes raízes da Bossa Nova, como Pixinguinha (João Batista) e Cartola (Isaías). Sem as profecias musicais destes inspirados mestres, tudo o que ocorreu depois poderia, simplesmente, deixar de existir.
Nos dias de hoje, com o sucesso de um de seus filhos mais queridos, a Guitarra Elétrica, o Violão pode descansar um pouco de vez em quando... Mas quando chega aos palcos, ele continua arrancando suspiros de todos...
José Nantala Bádue Freire
29 de Julho de 2008
terça-feira, 29 de julho de 2008
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1 comentários:
Nunca imaginei essa ligação tão interessante do cristianismo, com - a música, a bossa! Inteligentíssima a metáfora, Nan! QUERO ESTE TEXTO PUBLICADO EM ALGUMA REVISTA! AFINAL É TEMPO DE COMEMORAR A BOSSA!
Te amo
Bjs
Ni
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