terça-feira, 16 de outubro de 2007

Máfia das Multas de Trânsito

Ontem à Noite, fui juntamente com minha namorada assistir ao filme Tropa de Elite, no Shoping Pátio Higienópolis. O filme é fantástico e nos mostra uma realidade diferente, que quase ninguém tem coragem de denunciar assim, tão veementemente. Demonstra-se, com requintes de crueldade, a corrupção da nossa sociedade (pois o aquilo, com certeza, não acontece só no Rio de Janeiro), bem como nos faz atentar para uma realidade que não se enxerga devidamente "deste lado do muro", onde se constroem visões "socio-politizadas" mas que pecam pela falta de "experiência". O Filme é polêmico, mas acaba por nos trazer alguma esperança.

Contudo, ao sair do cinema, deparei-me com uma situação que me deixou perplexo e que, justamente, me remeteu ao que acabara de ver enquanto me entretia na "lanterna mágica" dos irmãos Lumière.

Tinha parado o carro fora do Shopping, em um local permitido após as 19:00, pois não queria pagar o estacionamento. Contudo, mesmo tendo estacionado num local permitido, fui "autuado" por um agente da CET, que ainda teve a "cara-de-pau" de colocar como horário da infração "21:28". "Ora", pensei comigo, "se estava fora do horário, por que ele me multou?" Além disso, por que diabos um oficial da CET estava "de olho" nos carros parados em frente ao Shopping àquela hora da noite? A resposta me veio num estalo, quando virei-me para o Shopping e me deparei com o estacionamento...

Será que o Shopping não "colabora" com as autuações dos carros parados àquela rua (ainda que ilegais), por se tratarem de um "estímulo" aos seus consumidores pararem seus veículos dentro do seu estacionamento? Se for verdade, isso não é nenhuma novidade. Muitos donos de estacionamento têm o hábito de fazer pequenos "acordos" com alguns "oficiais" para alavancarem seus negócios... Digo isso porque o próprio "Tropa de Elite" denuncia e, também por ter sido vítima de uma "operação", no mínimo, estranha, há alguns meses atrás...

Estava no apartamento que alugo à Rua Pedro Victor (sem saída) e, quando desci para ir à academia, vi um grupo de "marronzinhos" (cinco, mais ou menos) a distribuir multas a todos os carros estacionados. Alegavam que os carros estavam indevidamente estacionados, uma vez que encontravam-se na posição de 45º e não havia placa sinalizando a existência deste tipo de vagas no local. Contudo, a síndica do prédio havia descido e dito a eles que, por diversas vezes, tinha pedido à CET para regularizar aquela situação. Sempre recebia como resposta que alguns oficiais iriam até o local para regularizar o estacionamento em 45º, mas isto nunca acontecia... Muito pelo contrário! Quando vinha alguém, vinha para multar.

Engraçado porque, poucas semanas após o ocorrido, ouvi um comentário do Chefe da CET em São Paulo, dizendo que o contingente de seu pessoal era exíguo. Se o contingente é tão diminuto, o que 5 oficiais estariam fazendo numa larga rua sem saída, autuando carros que estavam, simplesmente, parados em 45º e que em nada afetavam o trânsito local? A resposta me veio, mais uma vez, de supetão.

Assim como no caso do estacionamento do Shopping Pátio Higienópolis, os indícios de "incentivos" pagos por estabelecimentos deste gênero a fiscais da CET para multar quem pare ao seu redor são preocupantes. Em frente ao condomínio que eu alugo, existe um estacionamento muito grande, e que serve de garagem "step" para os moradores. Todavia, muitos dos condôminos preferem parar seus carros na rua, quando há vagas disponíveis. Quando a rua está lotada, opta-se pelo estacionamento.

Como se "lota" mais facilmente uma rua? Com carros parados no mesmo sentido do meio-fio, ou em 45º? É claro que cabem muito mais carros em 45º. Agora, como assegurar que as pessoas deixarão de estacionar dessa forma? Ora, "incentivando" que venham "fiscais" de trânsito para autuar os "infratores"... Típico, não?

O melhor é que entrei em contato com a CET para buscar esclarecimentos. Protocolei um pedido de averiguação da situação e de regularização do estacionamento em 45º. A resposta que me veio é que o serviço seria prestado em 2 dias e que a ocorrência seria averiguada. Os dois dias duram até hoje... Mais uma vez, típico, não?

No caso do estacionamento do Pátio Higienópolis, ainda há mais uma "irregularidade". Como não há opção efetiva ao consumidor de parar em outro local nas proximidades do Shopping, (não há estacionamentos por perto e parar na rua dá multa!), trata-se de um caso (típico) de "venda-casada". Estou muito tentado a fazer essa denúncia ao Procon... Aliás, o farei. E ainda informarei ao IDEC (Instituto de Defesa do Consumidor) dessas "suspeitas". Acho que destas organizações eu terei uma resposta mais satisfatória do que uma fictícia e infinita espera de dois dias...

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