segunda-feira, 29 de outubro de 2007

"No llores por mi, Argentina!"

Pela primeira vez na história da Argentina, elegeu-se uma mulher para assumir a Presidência do país. Sei que pode parecer um pouco "inapropriado" de minha parte, mas desconfio que a nossa nação irmã poderá passar por um processo muito semelhante ao que tivemos no Rio de Janeiro, com o "Casal Garotinho".

Não, não estou querendo "gorar" nada... Inclusive, tenho a certeza de que o casal Kirchner é muito mais preparado que o casal que governou o Rio de Janeiro. O que me preocupa, todavia, é que continuamos, em escala continental, elegendo pessoas com uma carga de personalismo e de heranças populistas muito sólidos, ou seja, não conseguimos perder este vício de eleger um "salvador da pátria", ou um "herói quixotesco", que, mais cedo ou mais tarde, acaba sempre fugindo do monstro com uma bravura notável, em busca de mais um moinho de vento para combater...

Não digo isto à tôa... Peronismo, Varguismo, Lulismo e Chavismo são todos braços do "rio populista" que singra pelas américas para desembocar num oceano inteiro de bobagens, máscaras e estagnação. Mas este oceano só banha o cone sul. E, na minha opinião, só sairemos dessa quando nossos governantes pararem de pensar em "carreira política" para pensar em "agir politicamente", no sentido aristotélico do termo.

Portanto, tomara que Cristina não se dote do discurso e nem das atitudes dos seus antecessores partidários (incluindo Perón, é claro!). Tomara que ela se deixe levar pela sua "feminilidade", fazendo dos argentinos seus verdadeiros filhos e, como faz todo aquele que age com amor e misericórdia, liberte-os... Liberte-os, inclusive, de si mesma, para dar-lhes um mundo todo.
Quem governa é empregado de governo, não chefe.

Nenhum comentário: